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Conselho Regional de Psicologia Santa Catarina - 12ª Região



Live da Comissão de Direitos Humanos (CDH) debateu saúde mental e aspectos racionais da mulher negra


Live da Comissão de Direitos Humanos (CDH) debateu saúde mental e aspectos racionais da mulher negra
2020-10-07

Na quarta-feira (30/9) o Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina (CRP-12) promoveu o debate on-line sobre a saúde mental e aspectos racionais da mulher negra.

O debate ao vivo aconteceu entre 19h30 e 21h no canal do CRP-12 no YouTube.

O evento, organizado pelo CRP-12 e desenvolvido pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), teve como objetivo debater o tema com profissionais da psicologia e profissionais que atuam com as demandas de aspectos raciais.

A live foi mediada pelo psicólogo Jairo Cesar Lunardi (CRP 12/02245) e contou com as palestrantes Anna Carolina M. Espírito Santo (Cress/SC 5957) e Soraia Aparecida de Araújo (CRP 12/07968). Anna é graduada em Direito (UNIVALI) e Serviço Social (UFSC) e especialista em políticas sociais e demandas familiares (UNISUL) e atua como assistente social na Prefeitura de Florianópolis.  A psicóloga Soraia é especialista (Universidade Católica/ Brasília) e mestre (UFSC), ambas em direitos humanos.  É psicóloga da Secretaria da Assistência Social da Prefeitura Municipal de Florianópolis.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego é maior entre negros e pardos: cerca de 64,6%.  Já o Atlas da Violência de 2018 do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que a taxa de homicídios é 71% maior entre mulheres negras, do qual destaca-se mais um número alarmante: aumento de 15, 4% na taxa de homicídios nos últimos 10 anos.

Existem documentos produzidos pelo Governo Federal que ajudam a quantificar e qualificar a situação da mulher negra no Brasil. Um deles é a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN – 2010) do Ministério da Saúde.

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, 60% das mortes maternas ocorreram entre mulheres negras e 34% entre brancas. “A regressão de direitos no Brasil tem classe, gênero e cor. De modo que se olharmos em uma espécie de pirâmide social, a mulher negra está abaixo do homem negro, seguido da mulher branca e do homem branco, no topo da hierarquia social”, explica Anna Carolina.

O racismo sempre esteve presente na história do Brasil e atualmente está em voga globalmente pelas manifestações e denúncia contra a morte e a violência sistemática da população negra. Existe a necessidade de tratar a questão da mulher negra na intersecção entre conceitos de gênero e raça. “Mas antes é necessário fazer uma digressão sócio histórica para compreender de forma mais completa o tema do racismo, para então ver como ele afeta a saúde mental da mulher negra”, completa Anna.

Anna define que há uma série de conceitos fundamentais para compreender o racismo no Brasil. Um deles é o chamado “Mito da democracia racial”, discurso de meados do século XX produzidos por sociólogos que mostravam o Brasil como o lugar que transcendeu os conflitos raciais, onde haveria uma harmonia entre negros e brancos, traduzidos em forma de miscigenação e a não existência de leis segregacionistas.

Para completar, a profissional fez uma diferenciação necessária sobre os conceitos: preconceito, discriminação e racismo, apontando que eles não são sinônimos.

Soraia salientou a necessidade de embasamentos específicos para tratar de casos reais na nossa sociedade. Nesse sentido, aproximou-se do conceito de feminismo negro, pois percebeu a necessidade de explorá-lo a partir das diversas formas de violência pelas quais a mulher negra é submetida.

Ela apresentou quatro diferentes intelectuais negras e como suas lutas e trajetórias ajudaram na construção do feminismo.

A primeira delas foi Sojourner Truth (1797-1883), uma ex-escrava e abolicionista afro-americana que lutou pelo direito das mulheres nos Estados Unidos pós-independência.  Em seguida, Soraia apresentou as falas de uma importante intelectual negra brasileira, Lélia Gonzalez (1935-1994), militante negra e feminista, antropóloga e acadêmica, importante figura do Movimento Negro Unificado (MNU).

O feminismo das mulheres negras ajuda a compreender a violência de Estado e a ausência de políticas públicas para tratar mulheres e famílias negras destroçadas pela violência.  “O movimento não quer ser romantizado, mas sim propor uma sociedade onde não exista hierarquização de vidas”, completa.

A live está disponível no Canal do YouTube do CRP-12:  https://www.youtube.com/watch?v=Gn5m5h4pmKA

 

 


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